Espetáculo "Encasulados" provoca reflexão sobre questões ambientais

Quando nascem os filhos, a dimensão do futuro se torna tão presente, quanto a necessidade diária de viver cada momento. Estranha contradição; o desejo de viver com qualidade o agora e a preocupação constante com o amanhã.

Diante dessas contradições, as saídas mais frequentes giram em torno do conforto e da satisfação imediata. Mas, a angústia bate como um alarme que invade de repente, quando a urgência do futuro se faz presente. O que vai ser do amanhã?

Calma! Posso dizer que a angustia é um sinal de saúde! Ainda dá tempo!

Pensando nisso, no fim de semana fomo assistir à peça Encasulados, no teatro Eva Hertz Em São Paulo. A peça conta com a direção geral, musical e trilha do talentosíssimo Gustavo Kurlat além de um elenco maduro e de peso que encenam e cantam um tema tão difícil quanto necessário, o futuro do planeta.

A peça, que se passa no ano de 2097, com um cenário futurista todo recoberto por plástico, onde não há luz natural, uma enorme máquina do tempo é o grande objeto de desejo de três diferentes personagens: um cientista querendo salvar as abelhas, um grande empresário dos canudos (que nesse tempo servia para tudo) que queria acabar com o ultimo casal de tartarugas e uma ambientalista disposta a tudo para deter esse empresário. A máquina do tempo daria a possibilidade de viajarem ao passado juntos, cada um em busca dos seus objetivos, dando-lhes a oportunidade de vivenciarem experiências com a natureza, já que se encontravam em um tempo tão intoxicados e sem nenhum resquício de rios, mares e animais jamais imaginável por nós.

O enredo toca em questões fundamentais já que o tema ambiental se faz cada vez mais presente e urgente nas escolas e espaços culturais. Me lembro de há quase quinze anos, quando trabalhava numa escola infantil, da pergunta inocente de um aluno no auge dos seus 5 anos quando conversávamos sobre jogar lixo na praia. Ele levantou a mão e disse atônito: - Se na praia existem placas dizendo que é proibido jogar lixo, porque os adultos jogam? Eles não sabem ler?

Diante desta pergunta eu me dei conta que as crianças, ambientalistas e educadores tinham uma grande missão: - É necessário educar os adultos, meu querido Dudu, porque quando esses eram pequenos não se sabia tanto sobre os impactos da poluição e da destruição da natureza para o futuro

Freud em 1930, em “O Mal-Estar da Civilização”, já nos alertava sobre as contradições existentes no processo de civilização. Por um lado, ela nos traz a proteção do homem contra a natureza e a regulamentação dos vínculos dos homens entre si. Por outro lado, ela destrói a mesma natureza em busca do acumulo de riquezas tornando os homens cada vez mais individualistas e competitivos entre si.

A pergunta que fica então e que diz respeito a todos nós é: como podemos usar o avanço tecnológico e as novas formas de comunicação como ferramentas que nos tragam mais consciência coletiva, cuidados com a natureza e empatia com o próximo?

Eu, com certeza, perguntaria às crianças, serão eles os nossos professores, são eles que enxergam coisas tão obvias que a corrida frenética pelo futuro nos faz esquecer. Tomemos então nosso lugar de adultos, somos nós os responsáveis pelo lixo que produzimos, pela maneira que o descartamos, pelo incentivo da agricultura familiar e orgânica, pela cobrança ao novo governo da proteção da Amazônia.

O futuro, meu filho, é agora!

Não deixem de assistir ao espetáculo!

por: Talita Pryngler

Andre Minnassian